Fundação Mar - São Sebastião - SP
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POR AMOR À CULTURA - Fundação mar
 


Um naufrágio não termina no fundo do mar. Fica na memória, encalha em documentos e permanece para sempre na História. Desperta o interesse e a curiosidade das pessoas. E quando tem pedaços expostos em um museu atrai mais visitantes, sejam mergulhadores ou turistas. No Litoral Norte temos a Fundação Mar-Museu de História, Pesquisa e Arqueologia do Mar, que cuida de registrar e, na medida do possível, mostrar ao público testemunhos de desastres marítimos e peças que já estiveram afundadas em nossas águas.
Em 1991, um grupo (do qual eu participava) de mergulhadores e pessoas interessadas em dar continuidade a pesquisas e histórias dos vinte e cinco a trinta naufrágios conhecidos da região e de muitos outros, somente apontados por seus indícios, decidiu criar uma entidade privada, sem fins lucrativos. Assim nasceu nossa fundação e, com ela, a chance de serem doadas peças e bens que interessassem ao museu e aos seus futuros visitantes. Seu estatuto foi registrado em 1992, época da ECO-92, e seus capítulos basearam-se nesse encontro mundia onde foram discutidas a vida do planeta e a do homem, propostas para defendê-las, assim como questões culturais e históricas.
Em 16 de março de 1993, a cidade de São Sebastião festejava seu aniversário e ganhava nosso presente: a inauguração da sede da Fundação. Trabalhávamos com a Divisão de Patrimônio Histórico da Prefeitura do município, graças ao interesse e vontade política daquela administração. Deram-nos condições de fazer um trabalho sério em conjunto com os funcionários do seu Arquivo Histórico. Dividíamos as instalações da Casa Dória, da saudosa professora Verena e “Seu” Alvinho Dória (que até hoje nos ajuda a esclarecer alguns “causos” ou dúvidas sobre a história regional e seu cotidiano). Ambos sempre foram entusiastas da importância de preservar a memória, as fotos e as notícias do lugar, que essa família colecionou e deixou para a cidade.
Esse apoio da Prefeitura continuou em 1994 e obtivemos o primeiro convênio que nos deu condições de ampliar as pesquisas
históricas e formarmos uma frente de combate a desastres e agressões contra o meio ambiente, principalmente quanto aos derramamentos de petróleo, que desfiguraram nosso canal e sujaram nossas praias. Foram muitas as oportunidades em que a Fundação Mar se uniu a entidades governamentais e a ONGs (organizações não governamentais) para minimizar danos ao litoral ou para ajudar a salvar ou recuperar animais aquáticos e terrestres e, na medida do possível, devolvê-los ao seu habitat natural. Em alguns casos de cetáceos – golfinhos e baleias – que apareceram mortos, enviamos partes deles para estudo das espécies por técnicos responsáveis; outras partes preservamos para formar um banco de dados que tem servido a pesquisadores brasileiros e do exterior.

Nossas coleções de conchas, esqueletos, peças de naufrágios, fotos, textos, microfilmes têm sido várias vezes elogiadas por
pesquisadores e estudiosos, que dizem raramente ver outras, semelhantes, tão bem conservadas e disponíveis para estudo. São testemunhos assim que nos dão a certeza de que cumprimos com nosso estatuto, beneficiando a população. É um trabalho sacrificado, onde muitas vezes compramos, nós mesmos, peças que de outra forma não iriam para as vitrines do museu à vista do público, composto por estudantes, turistas e estudiosos. Estariam, sim, decorando casas de praia dos ricos e famosos que não se preocupam com a história, nem com a cultura. A pesquisa histórica avança. Juntamos informações, textos, fotos, desenhos e documentos de arquivos e bibliotecas do Brasil e do mundo, sempre enriquecendo o banco de dados do nosso Centro de Documentação. Atualmente temos cerca de quinze mil textos, entre outros materiais, que contam a história da região. E sabemos que muitosoutros poderão chegar à nossa casa, através de doações e convênios. Esperamos por eles, ansiosamente.


Sucessos e frustrações. Em um trabalho como o da Fundação Mar, há de tudo. Geralmente, os sonhos e idéias dos bons cidadãos vão em frente ou se perdem ao sabor da vontade ou má vontade política. Hoje, temos pela frente uma perspectiva promissora e, num passado recente, uma dolorida decepção.
A perspectiva promissora é que no projeto de reforma do Balneário dos Trabalhadores, na Praia Grande, há a possibilidade de
termos uma construção anexa ao museu, onde será montado, em parceria com a Fundação Mar e outros órgãos, o primeiro laboratório de análises de contaminações (da areia da praia, da qualidade da água marinha, da toxicologia natural dos animais marinhos). Identificadas as contaminações, os órgãos competentes serão avisados para tomar, rapidamente, as providências necessárias. Essa é a real função de quem deve pôr o conhecimento científico à disposição da melhoria da qualidade de vida da comunidade. E só com parcerias entre a iniciativa privada e o poder público são criadas condições financeiras para planos e iniciativas atingirem seus objetivos.


Nossa dolorida decepção tem muito a ver com isso. Em 1998, o grupo da Fundação Mar quis ir mais longe. Decidiu fazer um trabalho de cunho social com crianças e adolescentes. Naturalmente, com a parceria da Prefeitura fortalecida pelos governos estadual e federal, além do comércio da cidade. O conhecimento que o grupo já tinha do assunto o autorizava a ver perspectivas de trabalho para jovens até então sem futuro.

Projeto Viração: esse era o nome. Mas só valeu a parceria com o governo federal, ainda assim com muitas complicações a obstruir o trabalho. Só no ano 2000 pudemos continuar a parte sócioeducativa do projeto, atendendo a 140 crianças e adolescentes, encaminhados por assistentes sociais da Prefeitura, do Conselho Tutelar, do Juizado da Infância, entre outros órgãos. Quatro anos depois tínhamos crescido muito na qualidade e na quantidade de atendimentos, principalmente na formação de uma equipe multidisciplinar de funcionários dedicados às crianças e à formação semi-profissional dos adolescentes. Formação essa, voltada para nossa realidade e às oportunidades de emprego e geração de renda na região, nos setores náutico e de ecoturismo.

Contudo, em 2005 nossos planos fizeram água. O curso básico e o técnico profissionalizante tinham mais de cento e vinte adolescentes inscritos. O sócio-educativo tinha trezentas crianças para atender. E fomos surpreendidos pela paralisação geral das atividades, sem justificativa convincente. E nem os esforços feitos pelos pais de alunos, funcionários e diretoria da Fundação Mar sensibilizaram os “detentores do poder provisório local” a retomar as atividades. Muito se perdeu com essa atitude irresponsável das autoridades locais: a confiança dos jovens na chance de ter uma oportunidade de crescer na vida; o objetivo da Fundação Mar de tirar muitos deles das ruas e do perigo do perverso envolvimento com o tráfico e a criminalidade, tão comuns em seus bairros de origem. Foi impossível, também, conseguir um patrocinador privado que desse força aos nossos planos de ter uma Escola Náutica e de Ecoturismo para formar profissionais competentes em áreas tão necessitadas de bons profissionais. A todos que se interessarem por nosso trabalho, ficam aqui os endereços de onde podem nos encontrar:
Sites: www.fundacaomar.org.br / www.fundacaomar.com.br
e-mail: fundacaomar@uol.com.br
Av. Ver. Antonio Borges, 1.905, CEP 11.600-000, São Sebastião, SP.
Tel.: 012–3862-6732

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